{"id":4715,"date":"2022-06-29T14:07:46","date_gmt":"2022-06-29T14:07:46","guid":{"rendered":"https:\/\/picosdeaventura.com\/?p=4715"},"modified":"2022-06-29T14:14:54","modified_gmt":"2022-06-29T14:14:54","slug":"golfinhos-roazes-nos-acores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/picosdeaventura.com\/pt\/2022\/06\/29\/golfinhos-roazes-nos-acores\/","title":{"rendered":"Teremos 1 ou 2 tipos de golfinhos roazes nos A\u00e7ores?"},"content":{"rendered":"\n<p>Os roazes apresentam uma distribui\u00e7\u00e3o mundial ocupando diferentes tipos de habitats adquirindo assim uma varia\u00e7\u00e3o morfol\u00f3gica consider\u00e1vel. Apesar do nosso conhecimento taxon\u00f3mico destas varia\u00e7\u00f5es e da conectividade entre elas ainda ser limitado, tem sido reconhecido globalmente a exist\u00eancia de um ec\u00f3tipo costeiro (in-shore) e um ec\u00f3tipo oce\u00e2nico (off-shore).<\/p>\n\n\n\n<p>No Atl\u00e2ntico Sul ocidental, estes ec\u00f3tipos t\u00eam sido descritos com base em fenologia e gen\u00e9tica e tamb\u00e9m foram descobertas diferen\u00e7as significativas entre v\u00e1rias popula\u00e7\u00f5es costeiras e oce\u00e2nicas no nordeste do Pac\u00edfico e no noroeste do Atl\u00e2ntico.<\/p>\n\n\n\n<p>Os golfinhos oce\u00e2nicos apresentam uma barbatana dorsal mais falcada e uma colora\u00e7\u00e3o mais escura. Os golfinhos costeiros apresentam 2 faixas mais largas na regi\u00e3o da garganta e um rostro mais longo. Estes dois ec\u00f3tipos apresentam ainda diferen\u00e7as na prefer\u00eancia de habitat. Enquanto que o ec\u00f3tipo costeiro prefere \u00e1guas menos profundas que v\u00e3o at\u00e9 os 18 metros de profundidade e que estejam a uma dist\u00e2ncia m\u00e1xima de mais ou menos 7,5 km da costa, o ec\u00f3tipo oce\u00e2nico tem uma distribui\u00e7\u00e3o mais ampla e possui maior flexibilidade na prefer\u00eancia de habitat. Estes s\u00e3o encontrados tanto em \u00e1guas costeiras como em \u00e1guas mais profundas, em profundidades que normalmente v\u00e3o dos 34m aos 750m e a mais de 34km da costa.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"684\" height=\"689\" src=\"https:\/\/picosdeaventura.com\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/blog-picos-de-aventura-roazes-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4726\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/picosdeaventura.com\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/blog-picos-de-aventura-roazes-2.png 684w, https:\/\/picosdeaventura.com\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/blog-picos-de-aventura-roazes-2-298x300.png 298w, https:\/\/picosdeaventura.com\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/blog-picos-de-aventura-roazes-2-150x150.png 150w, https:\/\/picosdeaventura.com\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/blog-picos-de-aventura-roazes-2-12x12.png 12w, https:\/\/picosdeaventura.com\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/blog-picos-de-aventura-roazes-2-40x40.png 40w, https:\/\/picosdeaventura.com\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/blog-picos-de-aventura-roazes-2-79x80.png 79w, https:\/\/picosdeaventura.com\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/blog-picos-de-aventura-roazes-2-301x303.png 301w\" sizes=\"auto, (max-width: 684px) 100vw, 684px\" \/><figcaption>Figura 1-Padr\u00e3o de cores, de cima para baixo: dorso, barbatana dorsal e regi\u00e3o ventral do ec\u00f3tipo (a) costeiro e (b) offshore de golfinhos do sul e sudeste do Brasil. As setas indicam listras estreitas e faixas largas a sa\u00edrem da garganta at\u00e9 \u00e0 zona axilar dos ec\u00f3tipos offshore e costeiro, respetivamente.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Como nos A\u00e7ores temos \u00e1guas profundas (&gt;200m) muito pr\u00f3ximas da costa, os limites batim\u00e9tricos que normalmente s\u00e3o atribu\u00eddos \u00e0s popula\u00e7\u00f5es costeiras e oce\u00e2nicas no Atl\u00e2ntico Norte n\u00e3o podem ser aplicadas neste caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Na zona oeste do Atl\u00e2ntico Norte an\u00e1lises mitocondriais e de ADN provaram a exist\u00eancia de diferen\u00e7as a n\u00edvel gen\u00e9tico entre estes dois ec\u00f3tipos assim como entre popula\u00e7\u00f5es costeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, contrariamente ao que \u00e9 observado nos golfinhos pertencentes ao ec\u00f3tipo costeiro, os golfinhos oce\u00e2nicos conseguem manter n\u00edveis elevados de fluxo gen\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s terem sido obtidas as sequ\u00eancias gen\u00e9ticas de amostras de <a href=\"https:\/\/picosdeaventura.com\/pt\/tour\/observacao-de-baleias-e-golfinhos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">roazes dos A\u00e7ores<\/a> e posteriormente comparadas com as sequ\u00eancias das popula\u00e7\u00f5es da zona oeste do Atl\u00e2ntico Norte foi poss\u00edvel verificar que n\u00e3o existem diferen\u00e7as significativas entre as primeiras e o ec\u00f3tipo oce\u00e2nico. Conclui-se assim que todos os roazes que ocorrem em zonas pel\u00e1gicas do Atl\u00e2ntico Norte pertencem a uma grande popula\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma outra forma de distinguir estas duas popula\u00e7\u00f5es \u00e9 atrav\u00e9s de padr\u00f5es de resid\u00eancia, sendo que os costeiros tendem a ser mais residentes enquanto os oce\u00e2nicos por norma s\u00e3o mais passageiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de os roazes estarem presentes durante todo o ano nos A\u00e7ores, an\u00e1lises de foto-identifica\u00e7\u00e3o mostram-nos que existem indiv\u00edduos que s\u00e3o avistados repetidamente na mesma \u00e1rea anualmente. Estes animais ser\u00e3o muito provavelmente residentes. Por outro lado, h\u00e1 indiv\u00edduos que s\u00e3o avistados muito raramente e que provavelmente s\u00e3o apenas visitantes ocasionais nas ilhas. Por esta raz\u00e3o poder\u00edamos supor que existem duas popula\u00e7\u00f5es presentes nos A\u00e7ores, uma costeira\/residente e uma oce\u00e2nica\/visitante.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, um estudo revelou que apenas existe uma popula\u00e7\u00e3o de roazes no arquip\u00e9lago e que esta popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 significativamente diferente da popula\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica do noroeste do Atl\u00e2ntico norte.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta falta de diferencia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica entre os supostos roazes costeiros nos A\u00e7ores dos demais oce\u00e2nicos n\u00e3o era de todo esperada tendo em conta:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; que estas duas popula\u00e7\u00f5es s\u00e3o reconhecidas tanto no Oceano Atl\u00e2ntico como no Oceano Pac\u00edfico;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; os padr\u00f5es de resid\u00eancia observados nesta regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os roazes presentes nos A\u00e7ores pertencem ent\u00e3o a uma s\u00f3 popula\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica (off-shore), apesar de serem encontrados em zonas costeiras. Estas informa\u00e7\u00f5es contradit\u00f3rias ser\u00e3o muito provavelmente uma consequ\u00eancia da topografia dos A\u00e7ores, onde n\u00e3o existe qualquer plataforma continental e onde temos zonas de grande profundidade a come\u00e7arem muito pr\u00f3ximo da costa.<\/p>\n\n\n\n<p>Gostava de ter uma experi\u00eancia de Whale Watching nos A\u00e7ores? Reserve connosco <a href=\"https:\/\/fareharbor.com\/embeds\/book\/picosdeaventura\/items\/155114\/calendar\/2022\/06\/?flow=226276&amp;fbclid=IwAR0fIXNMlThwMP76sy290jetmX5Wy8AkVUA0ucfFvDF7_E_cDzyIiOaQD4M&amp;language=pt&amp;full-items=yes\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">a<\/a><a href=\"https:\/\/fareharbor.com\/embeds\/book\/picosdeaventura\/items\/155114\/calendar\/2022\/06\/?flow=226276&amp;fbclid=IwAR0fIXNMlThwMP76sy290jetmX5Wy8AkVUA0ucfFvDF7_E_cDzyIiOaQD4M&amp;language=pt&amp;full-items=yes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">qui<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Oudejans, M. G., Visser, F., Englund, A., Rogan, E., &amp; Ingram, S. N. (2015). Evidence for distinct coastal and offshore communities of bottlenose dolphins in the North-East Atlantic. <em>PLoS One<\/em>, <em>10<\/em>(4), e0122668.<\/p>\n\n\n\n<p>Qu\u00e9rouil, S., Silva, M. A., Magalh\u00e3es, S., Prieto, R., Matos, J. A., Mendon\u00e7a, D., &amp; Santos, R. S. BOTTLENOSE DOLPHINS OF THE AZOREAN ARCHIPELAGO WOULD BELONG TO A SINGLE POPULATION OF THE&#8221; OFFSHORE&#8221; TYPE.<\/p>\n\n\n\n<p>Sim\u00f5es-Lopes, P. C., Daura-Jorge, F. G., Lodi, L., Bezamat, C., Costa, A. P., &amp; Wedekin, L. L. (2019). Bottlenose dolphin ecotypes of the western South Atlantic: the puzzle of habitats, coloration patterns and dorsal fin shapes. <em>Aquatic Biology<\/em>, <em>28<\/em>, 101-111.<\/p>\n\n\n\n<p>Torres, L. G., Rosel, P. E., D&#8217;Agrosa, C., &amp; Read, A. J. (2003). Improving management of overlapping bottlenose dolphin ecotypes through spatial analysis and genetics. <em>Marine Mammal Science<\/em>, <em>19<\/em>(3), 502-514.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os roazes apresentam uma distribui\u00e7\u00e3o mundial ocupando diferentes tipos de habitats adquirindo assim uma varia\u00e7\u00e3o morfol\u00f3gica consider\u00e1vel.  &hellip; <a href=\"https:\/\/picosdeaventura.com\/pt\/2022\/06\/29\/golfinhos-roazes-nos-acores\/\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4724,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[25,34],"class_list":["post-4715","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog-mar","tag-mar","tag-whale-watching"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/picosdeaventura.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4715","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/picosdeaventura.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/picosdeaventura.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/picosdeaventura.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/picosdeaventura.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4715"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/picosdeaventura.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4715\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4729,"href":"https:\/\/picosdeaventura.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4715\/revisions\/4729"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/picosdeaventura.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4724"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/picosdeaventura.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4715"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/picosdeaventura.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4715"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/picosdeaventura.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4715"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}