Avistamentos de 2025

Avistamentos 2025
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O ano de 2025 chegou ao fim, tendo sido um período particularmente único em termos de avistamentos de cetáceos, com um número elevado de baleias que permaneceram na ilha até bem depois do verão. Este relatório resume essas observações em gráficos e percentagens, refletindo um ciclo completo de saídas, encontros e padrões comportamentais ao longo do ano.

Começando pelas baleias de barbas (Fig. 1), as espécies mais representativas no início do ano foram a baleia-azul (Balaenoptera musculus) e a baleia-comum (Balaenoptera physalus) (linhas azul-marinho e laranja, respetivamente). Estas espécies são tipicamente avistadas nos Açores desde o final do inverno até ao longo da primavera. No entanto, os seus registos de avistamento têm vindo a diminuir nos últimos anos, possivelmente em resultado das alterações climáticas, atingindo em 2025 valores máximos de apenas 35% para a baleia-azul e 12% para a baleia-comum.

Durante este período, registou-se também a presença das emblemáticas baleias-de-bossa (Megaptera novaeangliae) (linha cor-de-rosa), que se destacaram pelo seu comportamento acrobático, com alguns saltos ocasionais, um fenómeno relativamente raro nos Açores, não passando despercebidos aos observadores.

Na primavera, observaram-se ainda a baleia-sardinheira (Balaenoptera borealis) e a baleia-de-Bryde (Balaenoptera edeni) (linhas cinzenta e azul-clara, respetivamente), espécies que assumiram um papel de destaque durante o verão.

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Fig.1. Probabilidade de avistamento das baleias de barbas no ano de 2025.

Em setembro, estas baleias estiveram presentes em 72% e 56% das saídas realizadas, respetivamente. Em 2025, ambas as espécies permaneceram por um período mais prolongado ao largo da ilha de São Miguel, seguindo a tendência observada nos últimos anos, também associada às alterações climáticas. Destaca-se, em particular, a baleia-sardinheira, que apresentou uma probabilidade de avistamento de 90% no mês de outubro.

De seguida, destacamos o cachalote (Physeter macrocephalus), considerado a espécie emblemática dos cetáceos nos Açores (Fig. 2). Em 2025, esta espécie correspondeu novamente às expectativas, tendo sido registada ao longo de todos os meses do ano, com maior frequência durante o verão. Na primeira metade do ano, o número de avistamentos foi inferior, em parte devido à prioridade dada às espécies migratórias, cuja observação se restringe a essa época.

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Fig. 2.  Probabilidade de avistamento do cachalote em 2025.

Ainda assim, os cachalotes proporcionaram inúmeros avistamentos marcantes, com uma grande diversidade de comportamentos observados. Foram frequentemente registados indivíduos em repouso à superfície, em interação social, a realizar saltos, a aproximar-se das embarcações, bem como a exibir a cauda imediatamente antes de mergulhos profundos. Ocasionalmente, foram observados grandes agrupamentos, com até 20 indivíduos na mesma área, refletindo a importância desta região para a maior espécie residente, que é simultaneamente o maior cetáceo dentado do planeta.

A seguir, destacamos o grupo de golfinhos conhecidos como “blackfish” (Fig. 3), que inclui as maiores espécies de golfinhos: orcas (Orcinus orca), falsas-orcas (Pseudorca crassidens), baleias-piloto (Globicephala melas) e grampos (Grampus griseus). Estas espécies são avistamentos ocasionais em São Miguel, tornando cada encontro uma oportunidade especial de observação.

O ano começou de forma notável com avistamentos de orcas (linha azul-marinho), que foram observadas a caçar uma tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea), a maior tartaruga do mundo. Estas mesmas orcas também foram registadas durante a primavera, aproximando-se com frequência das embarcações de observação.

As baleias-piloto (linha azul-clara) e as falsas-orcas (linha laranja) apresentaram uma frequência de avistamento semelhante, embora exibam comportamentos distintos. As baleias-piloto tendem a ser mais tranquilas, permanecendo frequentemente em repouso à superfície, enquanto as falsas-orcas demonstram maior curiosidade pelos barcos, aproximando-se com regularidade.

Os grampos (Grampus griseus, linha cinzenta) constituem uma das espécies avistadas ao longo de todo o ano, embora os seus encontros em São Miguel sejam relativamente raros, atingindo um máximo de apenas 22% das saídas em 2025. Os indivíduos adultos apresentam uma coloração esbranquiçada, resultante da acumulação de cicatrizes na pele. Quando nadam próximos da superfície, esta característica confere-lhes um tom azul-turquesa, tornando os avistamentos desta espécie particularmente impressionantes e únicos.

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Fig. 3. Probabilidade de avistamento de golfinhos grandes ou “blackfish” em 2025.

Por fim, destacamos o restante das espécies da família dos golfinhos (Fig. 4), que, embora sejam os cetáceos de menor porte nos Açores, desempenham um papel importante no ecossistema marinho e na observação de fauna local.

O golfinho-comum (Delphinus delphis, linha azul-marinho) é uma das nossas espécies residentes, avistada ao longo de todo o ano, com uma probabilidade de avistamento superior a 60% durante 2025. Também se destaca o golfinho-roaz (Grampus griseus, linha laranja), com avistamentos frequentes ao longo da maior parte do ano.

Os golfinhos-pintados-do-Atlântico (Stenella frontalis, linha cinzenta) são uma espécie comum na região, chegando a estar presentes na quase totalidade das saídas realizadas durante os meses mais quentes, refletindo a sua distribuição predominantemente tropical. Observa-se, no entanto, uma extensão da sua presença na ilha, possivelmente relacionada com o aumento das temperaturas do mar devido às alterações climáticas. O golfinho-riscado (Stenella coeruleoalba, linha azul-clara) é uma espécie ocasional nos Açores, apresentando uma probabilidade de avistamento menor e mais irregular do que as demais espécies representadas. Ainda assim, quando observado, destaca-se pelo seu elegante padrão de coloração, composto por duas linhas negras longitudinais ao longo do corpo, bem como pela velocidade impressionante com que se desloca pelos oceanos.

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Fig. 4. Probabilidade de avistamento dos golfinhos em 2025.

Em suma, o ano de 2025 revelou-se extremamente produtivo em termos de avistamentos de cetáceos, permitindo registar a presença de diversas espécies ao longo de todo o ano, bem como comportamentos variados e marcantes. No entanto, todas as emoções vivenciadas, tanto por nós como pelos nossos clientes, em encontros inesperados e memoráveis são impossíveis de quantificar. Esperamos que 2026 traga novas experiências igualmente extraordinárias e que nos continue a acompanhar nesta exploração da rica biodiversidade marinha dos Açores.

Escrito por Emilio Sanchez e Catarina Cunha.

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