A magia das águas dos Açores

A actividade tectónica e vulcânica que caracteriza a geomorfologia do fundo marinho desta região é uma delas. Esta actividade é devida ao facto do nosso arquipélago estar situado entre três placas continentais, formando montes e cumes submarinos. Alguns cientistas estimaram a existência de cerca de 63 montes submarinos grandes (com alturas superiores a 1.000 metros) e 398 montes submarinos pequenos (entre os 200 e 1.000 metros de altura) na nossa região. Devido à pouca profundidade destes últimos, a existência de luz e as correntes que se criam, dão origem a agregações de peixes, dando consequentemente lugar a zonas de alimento para muitos animais.

Graças à localização privilegiada do arquipélago, este encontra-se na rota migratória de muitos cetáceos, como baleias de barbas e golfinhos, mas também de tartarugas, peixes e aves. Como tal, e considerando o que foi dito anteriormente, muitos destes animais param para descansar e para se alimentarem nas nossas águas. É por isto que existe tanta biodiversidade marinha, sendo possível ver cerca de 27 espécies de cetáceos em diferentes alturas do ano.

 

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Figura 1. A Baleia-comum (Balaenoptera physalus) é uma das espécies migradoras que costuma passar pelo nosso arquipélago.

 

Além destas espécies de cetáceos migradoras, temos algumas espécies que optam por ficar pelas nossas águas durante mais tempo. Roazes, grampos, golfinhos comuns e os emblemáticos cachalotes são as espécies residentes dos Açores, podendo observar-se durante todo o ano. Devido à existência de zonas de grande profundidade próximas da costa e ainda à existência de várias espécies de lulas nas águas açorianas, este é um óptimo local para observar cachalotes, o maior cetáceo com dentes que existe.

 

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Figura 2. Vários cachalotes (Physeter macrocephalus) perto de uma das nossas embarcações de observação de cetáceos.

 

Por outro lado, sofremos ainda influência do Corrente do Golfo. Esta provoca um aumento de temperaturas das nossas águas, atraindo espécies de águas mais tropicais. Uma dessas espécies é a Baleia de Bryde, a qual aparece ocasionalmente nos meses de Verão. Peixes de águas mais quentes também são atraídos; o tubarão-baleia, o maior peixe vivo, e as jamantas são espécies que nos visitam quando a temperatura das águas aumenta. Por último, as tartarugas marinhas que observamos nos meses de Verão também são influenciadas por esta corrente.

Considerando o anterior, esta grande ocorrência de montes submarinos é de extrema importância para os Açores, tanto ao nível biológico como ao nível económico e indirectamente ao nível social. Além da importância para a actividade de observação de cetáceos na nossa região, estima-se que mais de 60% das pescas demersais e de profundidade sejam efectuadas junto a montes submarinos.

Em conclusão, existem três características principais que tornam os Açores um local único para observar baleias e golfinhos: a sua localização privilegiada, a grande ocorrência de montes submarinos na nossa região e a influência do Corrente do Golfo. As límpidas águas dos nossos mares, a abundância de alimento, a ausência de poluição a larga escala e a protecção legal dada aos cetáceos desde a proibição da baleação convertem portanto as nossas ilhas num paraíso para muitas espécies de cetáceos e também de outros animais.

 

Referências:

http://www.horta.uac.pt/intradop/index.php/pt/montes-submarinos/montes-submarinos-nos-acores

http://www.horta.uac.pt/ppl/tmorato/pdf/AtlantisCup2005.pdf

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